Eis o que acontece quando se aborrece um astrofísico que espera uma eternidade pelo seu lugar num avião: Primeiro, vai ficar fulo durante um ano, encarando o processo como algo ineficiente que pode ser corrigido estatisticamente. Depois, passa uma tarde de sexta-feira a criar um software, diferente de qualquer um usado pelas companhais aéreas, que determinará um modelo optimizado de embarque. Finalmente, vai publicar o resultado da sua investigação no jornal do Transporte Aéreo.
Há anos que as companhias de aviação tentam acelerar o processo de embarque dos passageiros, experimentando uma série de métodos, desde sentar as pessoas por secções, até começar nas janelas para acabar nos corredores, pasando pelos lugares não marcados. É que esta é uma preocupação crescente das companhias. Um avião dá lucro apenas quando está no ar e os atrasos têm-se multiplicado com o cada vez mais crescente número de pessoas que leva bagagem de mão, fugindo assim às pesadas taxas cobradas pelas malas nos porões dos aparelhos.
Actualmente, o embarque de passageiros demora mais do que abastecer o avião ou carregar a carga. Segundo os especialistas, nenhuma companhia de aviação usa o melhor método. A forma mais rápida de embarcar, de acordo com Jeffrey Steffen (o tal astrofísico…), é usar os corredores do avião o mais possível, com os lugares escalonados, por forma a que as pessoas possam arrumar a bagagem de mão com o mínimo de perturbação possível.
O modelo de Steffen defende que os passageiros junto à janela da parte de trás do avião devem ser os primeiros a serem chamados e sentados com duas filas de intervalo. O primeiro a entrar deve sentar-se no lugar junto à janela da última fila, o seguinte também na janela duas filas à frente e assim sucessivamente. O método deve ser repetido para os lugares do meio e para os do corredor.
Em Junho, esta ideia foi testada com 72 passageiros de um Boeing 757, usado pelos estúdios de Hollywood, numa experiencia realizada para a web TV «This vs. That» (pode ser visto aqui). Os extras profissionais e os voluntários (crianças, avós e homens de negocios) experimentaram vários modelos de embarque ao longo de quatro horas, num avião com 12 filas e 72 lugares. O método defendido por Steffen demonstrou ser o mais rápido, demorando três minutos e 36 segundo. O mais lento demorou seis minutos e 54 segundos, com todas as secções do aparelho a serem preenchidas ao mesmo tempo. Surpreendente foi o mau resultado do sistema usado pela maioria das companhias aéreas, de trás para a frente, e que demorou seis minutos e 11 segundos.
Mas será que o sistema de Steffen funcionará na realidade, com voos esgotados e atrasados, em aeroportos congestionados? Scott Santoro, da American Airlines, tem dúvidas. Desde logo, porque muitos voos são executivos e esse é um status inviolável. Mais: Kenneth Button, da Universidade George Mason, lembra que a própria natureza humana resiste ao sistema muito arrumadinho e ordenado que o método de Steffen exige.
As companhias aéreas andam em busca de novos esquemas de embarque, mas que sejam aplicáveis a todos os voos. Querem ganhar dois a três minutos em cada voo de forma consistente. Afinal, a mais prática e rápida forma de embarque já vai sendo utilizada na Europa: abrir todas as portas dos aviões e dividir os passageiros por elas.
Fonte: Dinheiro Vivo


